Simone White

19 junho 2009
[galeria ícone, coimbra]

Tempo para escutarmos a voz doce de Simone White... Esta singer songwriter de origem norte-americana completará desta forma o seu curto périplo pelo nosso país, que contemplará datas em Aveiro e no Porto.

Apesar de ter gravado o seu primeiro trabalho em 2003, Simone White tem tido um percurso reservado, parco em edições, privilegiando o palco e as colaborações com músicos de reconhecido estatuto. O seu segundo longa duração, intitulado I Am The Man e editado apenas em 2007, conferiu-lhe no entanto uma maior visibilidade. Distribuido pela Honest Jons, etiqueta de Damon Albarn (Blur, Gorillaz), este álbum não só lhe rendeu os maiores elogios junto da imprensa norte-americana, como lhe permitiu colaborar em palco com músicos como Tony Allen, Afel Bocoum, Kokanko Sata Doumbia, Candi Staton, Alela Diane e o próprio Damon Albarn, com quem actuou em Londres, há poucos meses atrás, num concerto promovido pela Honest Jon.

Ainda que o seu registo se situe num território diferente daquele em que se movimentam os seus pares, na Honest Jons, esta convivência tem lentamente moldado a sonoridade de Simone White, constatando-se uma lenta deriva em direcção à folk.

Simone White apresentar-se-á a solo, na Galeria Ícone,(Pátio da Inquisição) num concerto em que a doçura da sua voz e das suas composições decerto será preponderante.

Jesca Hoop + Pajaro Sunrise

06 junho 2009
[via latina, coimbra]
 
Jesca Hoop é umas das singer-songwriters surgidas nos últimos anos. A sua música é como nadar num lago à noite, disse Tom Waits, de cujos filhos Jesca foi nanny. Nascida na Califórnia no seio de uma família Mormon, Jesca mistura referências folk às mais distintas sonoridades e o resultado é Kismet, um disco de uma excentricidade belíssima. Está em Portugal para três espectáculos em versão acústica.

Pajaro Sunrise é Yuri Mendez. Após homónimo álbum de estreia, de parceria com Pepe Lopez, granjeador de ínumeros elogios e considerado uma das boas revelações em terras vizinhas Yuri regressa com Done/Undone, uma colecção de 22 canções divididas entre composições em grupo e a solo que reflecte as vivências de um ciclo terminado, Done, e um novo recheado de expectactivas, Undone. Um registo intimista de canções descarnadas de belexa desconcertante.

Festival Indie Songs Don't Lie 2009

20 e 21 maio 2009
[via latina, coimbra]
 
Peter Broderick + Nils Frahm

Se os trilhos da música alternativa não fossem tão sinuosos talvez pudéssemos afirmar que, Peter Broderick, aos 22 anos, é o músico do momento. Estreou-se no início de 2008 com o magnífico e instrumental Float, pela britânica Type Records. E, se com um registo mudo de voz já vislumbrávamos um génio desconhecido, com Home, o seu segundo de originais, a constatação de um talento singular é evidente.

Peter Broderick nasceu em Portland, Oregon, até que, há dois anos, depois de um convite feito pelo colectivo Efterklang para pertencer aos “quadros” da banda, passou a viver em Copenhaga. Com formação académica no violino, Broderick destaca-se pela sua capacidade extraordinária de executar variadíssimos instrumentos. Tem tocado com artistas de nomeada como M. Ward, Zooey Deschanel, Dolorean ou Laura Gibson mas, a solo, de nome em riste, afirma-se autor de melodias de uma qualidade e maturidade únicas.

Para além da sua destreza como instrumentista, em Home, Peter Broderick mostra-nos que também sabe cantar, conseguindo, no todo dos seus temas, atingir níveis imaculáveis, inventando crescendos épicos de uma intensidade hipnótica e ritmos contagiantes que nos tomam sem esforço tamanha é a beleza das canções. A experimentar a folk com outras sonoridades, a guitarra, as harmonias vocais e aridez dos arranjos assumem-se como protagonistas num disco que, para nosso privilégio, será apresentado pelo Senhor-Orquestra Peter Broderick num espectáculo surpreendente, onde o músico, através de instrumentos orgânicos e máquinas de loops, inundará de magia o espaço da Via Latina.


Como primeira parte, o companheiro de viagem Nils Frahm. Frahm é um músico de Berlim construtor de música capaz de nos roubar a respiração. Dentro do universo electrónico-minimal-instrumental, o artista constrói temas etéreos, através de cordas manipuladas, ritmos moderadamente ondulantes e pianos delicados - tudo a ser paisagem cinemática. Um prodigioso escultor de beleza.



Handsome Furs 

O projecto Wolf Parade parece demasiado estanque face ao dinamismo de Spencer Krug e Dan Boeckner. Se o primeiro é reconhecido pela sua relação directa com os Frog Eyes, Swan Lake e Sunset Rubdown, também Boeckner nos habituou a um intenso ritmo criativo. Em 2006, na companhia de Alexei Perry, formou o projecto Handsome Furs, um veículo através do qual poderiam viajar, absorver uma multitude de locais, regurgitando-os a cada álbum que editassem.

Esta premissa, definida pelo próprio Boeckner em várias entrevistas, tem sido cumprida à risca por ambos. O seu primeiro registo Plague Park resultou de uma viagem pela Escandinávia, assumindo a atitude disciplinada e organizada da população e a imensidão opressiva da paisagem. Por sua vez, em 2008, após o agendamento de várias datas pelo leste europeu, editaram Face Control, segundo álbum do qual emerge a questão do controlo público através da instalação de câmeras de vigilância nas cidades. No entanto os Handsome Furs estão longe de poder ser reduzidos a um mero manifesto programático de Boeckner e Perry; existe a componente sonora cuja intensidade em palco lhes tem rendido vários elogios por parte da imprensa.


Enquanto que Boeckner se liberta das amarras dos Wolf Parade e assume um registo errático, caótico e por vezes cru na guitarra, Alexei Perry contrapõe-lhe uma componente electrónica e programada, criando uma constante tensão entre ambos, e conferindo a cada uma das faixas uma violenta contenção cuja emergência parece iminente.


Márcia Santos

09 abril 2009
[oficina municipal do teatro, coimbra]
 
A imprensa parece não ter dado ainda pela presença de Márcia Santos. As suas composições não circulam de iPod em iPod, remetendo-nos insistentemente para o pequeno leitor no canto superior direito do seu myspace.  

Passamos por elas uma vez, duas, três. Atentamos aos poemas, à doçura que encontramos nas vocalizações, à sua desarmante simplicidade. Escutamos os seus dedos enquanto estes percorrem as cordas, contamos o número de acordes que completam A Pele Que Há Em Mim. Contamos ao outro quem é a Márcia... 

The Ruby Suns

26 março
[salão brazil, coimbra]
No por vezes errático imaginário de Ryan McPhun encontramos uma frágil figura cuja relevância é maior que a imensidão na qual permanece perdida. Ao longo da primeira faixa de Sea Lion, o fundador dos The Ruby Suns relata-nos a desventura de um solitário pinguim azul, que afastado da sua colónia, se encontra à deriva, ao sabor das inconstantes ondas do Pacífico Sul, o mesmo Pacífico que segundo McPhun trará ambos de volta a casa. 
 
Nascido na cidade de Ventura, California, McPhun cedo partiu para distantes paragens, rumando ao Quénia, seguindo-se a Tailândia e finalmente a Nova Zelândia. Ali conheceu Amee Robinson e juntos fundaram o projecto The Ruby Suns, inicialmente denunciando uma irreversível atracção pelo legado de Brian Wilson, tendo no entanto rapidamente evoluído para um combo tropicalista do qual nada é deixado de fora. Sea Lion, o seu segundo álbum de originais, aclamado pela imprensa ao longo de 2008, cruza a pop solarenga dos Beach Boys e dos Animal Collective com os ritmos e vibrantes vocalizações da África Austral, cabendo ainda neste melting pop uma marcada componente electrónica e alguns traços de noise ou psicadelismo. 

 
Os seus concertos são marcados por uma rara efervescência, como que espontâneos exercícios de contagiante inclusão. Na noite de 26 de Março, em Coimbra, espera-se uma celebração. Nessa mesma noite, todos nós nos deixaremos levar por uma inconstante onda vinda do Pacífico Sul.



Erica Buettner

05 março 2009
[kirsh, coimbra]
 
Quando escutamos pela primeira vez as suas composições, encontramos um traço familiar, que julgamos reconhecer de um prévio encontro. Ao convocar referências de um passado distante, seja um vinyl de Joan Baez ou uma gravação perdida de Nico, Erica Buettner pretende perpetuar o seu legado. 

O registo intimista encerra a memória da folk enquanto expressão de um autor preso à solidão do palco. A melancolia que percorre a sua escrita e cada uma das faixas que interpreta, é também ela portadora de uma dimensão narrativa, que encontra na sua voz e na guitarra a sua companhia. 

Será numa pequena sala do espaço Kirsh que Erica Buettner se apresentará ao público de Coimbra. A escolha de um espaço exíguo como aquele decorre dos traços da própria actuação, que se pretende depurada e cúmplice.

Butcher The Bar

23 janeiro 2009
[salão brazil, coimbra]
Na solidão do seu quarto, em Rotherdam (UK), Joel Nicholson (aka Butcher The Bar), assinou as composições de Sleep at Your Own Speed, um álbum que pela sua atmosfera acústica e frágeis vocalizações, tem captado a atenção de muitos daqueles que seguem de perto o legado de nomes como Elliott Smith ou Nick Drake

Aposta da reconhecida editora europeia Morr Music, Butcher The Bar incorpora no seu trabalho o traço que define a já denominada bedroom folk, ou seja, um processo criativo autónomo, que depende apenas do DIY, executado sem sair de um estúdio improvisado em casa. O recurso a um simples laptop, ou a instrumentos comprados em flea markets, é ilustrativo do desprendimento e da ingenuidade deste registo. 

Cada nota transporta a fragilidade e a honestidade da sua interpretação. A cada momento sentimos o pudor de invadir um espaço que parece pertencer apenas a Joel Nicholson. Espera-se por isso um concerto envolvente e intimista.

The Dodos

05 dezembro2008
[salão brazil, coimbra]

Os primeiros instantes de Fools comportam uma compulsiva necessidade de batermos as solas no chão. À percussão de Logan Kroeber sobrepõe-se a voz de Meric Long, e naqueles momentos iniciais surge-nos um rascunho de Visiter, traçado de forma errática e convulsiva, feito de sobressaltos e de repentismo. O seu primeiro ensaio, encontramo-lo em Dodo Bird, um EP editado por Meric em 2006, que à data passou indiferente pela imprensa e por todos aqueles que hoje escutam atentamente as suas composições. É nesse mesmo EP que surgem os princípios deste projecto, traçados sobre formas depuradas, como se de meras “demos” se tratassem. 

É no seguimento desse mesmo EP que surgem os The Dodos, no preciso momento em que Meric convida Logan Kroeber a acompanhá-lo em palco, conferindo a esses primeiros rascunhos uma nova dimensão, acrescentando-lhes bateria e backing vocals, e fazendo emergir uma tensão entre os dois músicos que conseguiram transpor do palco para as gravações de Visiter. 

Editado, em 2008, pela Frenchkiss Records, este álbum atinge em faixas como Ashley ou Jodi a síntese perfeita entre a marca mais folk de Meric e contexto rock em que Logan cresceu como músico, projectando para o palco actuações de uma rara intensidade. Fica a promessa de assistirmos a uma destas actuações, no Salão Brazil, em Coimbra, no próximo dia 05 de Dezembro.

Darren Hanlon

06 setembro 2008
[salão brazil, coimbra]

O palco do Salão Brazil recebe Darren Hanlon, um dos mais reputados singer songwriters australianos da actualidade.

Parceiro habitual de nomes como Jens Lekman ou The Lucksmiths, editou em 2006, Fingertips and Mountaintops, um álbum ao longo do qual a folk e a indie pop se cruzam, sob o olhar clínico e a escrita mordaz do seu autor. 

O sucesso deste terceiro longa duração solidificou um já assinalável passado no circuito indie australiano, marcado por constantes colaborações com alguns dos seus pares (o caso de Pikelet, Holly Throsby ou Sarah Blasko), tendo também garantido a Darren Hanlon uma primeira incursão pela Europa, "abrindo" para os Magnetic Fields, como de resto aconteceu há poucas semanas na Aula Magna, em Lisboa.