Domingo

22 outubro 2009
[galeria ícone, coimbra]

Anna (uma menina de grandes olhos negros) e Sam (um rapaz de barba e cabelos ruivos) vivem juntos, em Paris. Ela tem ascendência americana e ele libanesa. Gostam de Elliot Smith, Bonnie Prince Billy, Nick Drake, Grandaddy...
 
Juntos formam também os Domingo. Pela editora francesa Third Side Records lançaram o seu homónimo disco de estreia. A palavra que talvez possa melhor descrever estes Domingo é delicadeza. Letras que falam de desertos, da adolescência, de segredos de família, de confissões, conduzem-nos por melodias simples, mas encantadoras. Escritas em momentos de ausência, vivem num universo onde as guitarras e as vozes imperam, em canções tão doces quanto tristes.

Jens Lekman + Pikelet

17 julho 2009
[salão brazil, coimbra]


Corria o ano de 2006, quando Jens Lekman colocou à venda através do seu website alguns dos seus instrumentos mais queridos. De imediato, a imprensa antecipou a sua desistência e muitos temeram pelo fim do seu curto percurso. Porém, meses mais tarde, o regresso ao estúdio veio desmentir aquelas notícias, tendo então o autor escandinavo explicado o motivo de tal acto: com o produto da venda comprou uma passagem de avião para San Francisco, indo ao encontro de uma menina por quem se tinha enamorado dias antes. (*)

O relato deste episódio serviria para uma qualquer faixa de Jens Lekman. Do seu registo simultaneamente melancólico e tonto seríamos resgatados por uma secção de metais que nos conduziria através de um refrão contagiante (e por vezes dançável). Pontuada por elementos electrónicos, essa mesma faixa comportaria samples de um qualquer vinyl adquirido num mercado de Joanesburgo ou da cópia de Graceland que Jens escutou vezes sem conta ao longo da adolescência. A sua edição passaria então à margem de muitos, num mero EP de quatro faixas, num tributo a Arthur Russell ou Jonathan Richman, distribuída à porta de um dos seus cada vez mais raros concertos.

Jens Lekman é um músico especial. Figura frágil e naïf, ri-se de si próprio e da sua má fortuna, da forma atrapalhada como lida com os afectos e dos gestos daqueles a quem endereça as suas composições. Por vezes, causa-nos até um certo embaraço, de cada vez que escutamos um dos seus poemas. Ora faz-se acompanhar em palco de um mero ukelele como traz consigo uma orquestra formada por seis louras escandinavas, e ainda assim, qualquer que seja a formação, nunca a sua relação com o público se torna distante. Sempre foi cúmplice e próxima... paciente até nos e-mails que faz questão de responder pessoalmente.

Após a edição de Night Falls Over Kortedalla, em 2007, raras têm sido as ocasiões em que pisou os palcos. Revelando-se avesso a sucessivos meses de estrada, com a pressão de encenar algo celebratório todas as noites, preferiu afastar-se e rascunhar o seu próprio roteiro. Nos últimos meses passou por Seul, Sidney e Los Angeles. Encontramo-lo ao longo das próximas semanas em São Paulo, Coritiba e Buenos Aires. Longe do circuito dos festivais e das grandes salas, no presente Jens pretende apenas viajar, levando as suas composições a novas paragens, fazendo desses ocasionais concertos noites de memorável celebração.

No Salão Brasil, em Coimbra e, dia 18 de Julho, no Maus Hábitos, no Porto, Jens Lekman apresentará pela primeira vez as suas composições ao público português, em dois concertos que, segundo o próprio, serão efervescentes e dançáveis.

A efectuar a primeira parte de ambos os espectáculos teremos Pikelet, nome que esconde a australiana Evelyn Morris. Depois de colaborar com os Baseball e os True Radical Miracle, lançou-se numa carreira a solo onde a sua voz doce e hipnótica acompanha uma panóplia de instrumentos que leva para palco e que sobrepõe com a ajuda de uma loop machine.

Simone White

19 junho 2009
[galeria ícone, coimbra]

Tempo para escutarmos a voz doce de Simone White... Esta singer songwriter de origem norte-americana completará desta forma o seu curto périplo pelo nosso país, que contemplará datas em Aveiro e no Porto.

Apesar de ter gravado o seu primeiro trabalho em 2003, Simone White tem tido um percurso reservado, parco em edições, privilegiando o palco e as colaborações com músicos de reconhecido estatuto. O seu segundo longa duração, intitulado I Am The Man e editado apenas em 2007, conferiu-lhe no entanto uma maior visibilidade. Distribuido pela Honest Jons, etiqueta de Damon Albarn (Blur, Gorillaz), este álbum não só lhe rendeu os maiores elogios junto da imprensa norte-americana, como lhe permitiu colaborar em palco com músicos como Tony Allen, Afel Bocoum, Kokanko Sata Doumbia, Candi Staton, Alela Diane e o próprio Damon Albarn, com quem actuou em Londres, há poucos meses atrás, num concerto promovido pela Honest Jon.

Ainda que o seu registo se situe num território diferente daquele em que se movimentam os seus pares, na Honest Jons, esta convivência tem lentamente moldado a sonoridade de Simone White, constatando-se uma lenta deriva em direcção à folk.

Simone White apresentar-se-á a solo, na Galeria Ícone,(Pátio da Inquisição) num concerto em que a doçura da sua voz e das suas composições decerto será preponderante.

Jesca Hoop + Pajaro Sunrise

06 junho 2009
[via latina, coimbra]
 
Jesca Hoop é umas das singer-songwriters surgidas nos últimos anos. A sua música é como nadar num lago à noite, disse Tom Waits, de cujos filhos Jesca foi nanny. Nascida na Califórnia no seio de uma família Mormon, Jesca mistura referências folk às mais distintas sonoridades e o resultado é Kismet, um disco de uma excentricidade belíssima. Está em Portugal para três espectáculos em versão acústica.

Pajaro Sunrise é Yuri Mendez. Após homónimo álbum de estreia, de parceria com Pepe Lopez, granjeador de ínumeros elogios e considerado uma das boas revelações em terras vizinhas Yuri regressa com Done/Undone, uma colecção de 22 canções divididas entre composições em grupo e a solo que reflecte as vivências de um ciclo terminado, Done, e um novo recheado de expectactivas, Undone. Um registo intimista de canções descarnadas de belexa desconcertante.