Albin de la Simone

05 fevereiro 2010
[teatro académico de gil vicente, coimbra]


Ao longo da última década, Albin de la Simone tornou-se seguramente numa das maiores referências da chamada chanson française. Músico de formação clássica, percorreu na adolescência os territórios do jazz, procurando um progressivo aperfeiçoamento da sua técnica ao piano. Este trajecto levou-o aos estúdios de gravação de históricos como Alain Souchon, Arthur H ou Alain Chamfort, inicialmente como músico de sessão, e mais tarde acumulando as funções de produtor.

No entanto, não se compadecendo com o anonimato, Albin inicia-se na composição, e em 2003 grava o seu primeira longa-duração, trabalho homónimo recebido com entusiasmo pela imprensa, que nele encontra traços de uma escrita cuidada na forma minimalista das suas composições, destacando-se a faixa Elle Aime, gravada na companhia de Leslie Feist, como que uma matriz do seu imaginário.


Segue-se um segundo álbum, em 2005, intitulado Je Vais Changer. Ironia de um músico que se serviu desse segundo passo para consolidar as suas ideias e para se afirmar entre os seus pares. É com este mesmo álbum que chega o reconhecimento do público francófono, multiplicando-se os concertos a solo, ou na companhia de alguns dos seus contemporâneos, como Vincent Delerm, Jeanne Cherhal, Benjamin Biolay ou Camille


Noiserv

11 dezembro 2009
[salão brazil, coimbra]


Chama-se David Santos e assina Noiserv. Em 2005, pela conhecida label Merzbau, gravou e editou um EP intitulado 56010-92, um primeiro registo que lhe valeu a atenção da imprensa e o empurrou para uma série de concertos. O seu imaginário é habitado por referências como Thom Yorke, Elliott Smith, Sigur Ros ou Tom Waits, nomes cujo legado não só percorre as suas faixas como o influencia a estender cada vez mais as fronteiras das suas composições.


Um concerto de Noiserv é hoje um meticuloso exercício de construção; uma oportunidade de observarmos a laboratorial composição de melodias, recorrendo a utensílios como melódicas, teclados vários, caixas de música, glockenspiels e percussão. E, no entanto, nunca David perde de vista a sua dimensão de cantautor, conservando uma notória simplicidade e guardando a intimidade de momentos como aqueles que contaremos presenciar.
 

Noiserv apresentará o seu álbum One Hundred Miles From Thoughtlessness, na cidade de Coimbra, oportunidade para conhecermos aquele que é um dos mais promissores autores portugueses. 

Laura Gibson

13 novembro 2009
[oficina municipal do teatro, coimbra]


A música de Laura Gibson mostra-nos uma timidez que parece embalar as suas vocalizações, em que somos assaltados pela assumpção de uma contida inquietude, em que as palavras são demarcadas na sua fragilidade e doçura.

O seu mais recente disco, Beasts of Seasons é revelador do cuidado com que Laura Gibson tece os fios do seu trabalho, da enorme carga emocional que percorre as suas letras, cada uma delas portadora de momentos de redenção, ou como a própria refere, de um urgente alívio.

Mas se a solidão marca o trajecto deste segundo álbum de Laura Gibson, já a sua gravação contou com a colaboração de inúmeros músicos, também eles oriundos da cidade de Portland, entre outros, Nate Query (The Decemberists), Rachel Blumberg (Bright Eyes), Adam Selzer (Norfolk & Western), Danny Seim (Menomena) e a não menos ilustre Laura Veirs.

Este é um projecto pessoal e confessional de Gibson, que nos remete para algo mais que a sua escrita, a sua voz e as suas composições. Será desta forma que se apresentará em Coimbra. 


Domingo

22 outubro 2009
[galeria ícone, coimbra]

Anna (uma menina de grandes olhos negros) e Sam (um rapaz de barba e cabelos ruivos) vivem juntos, em Paris. Ela tem ascendência americana e ele libanesa. Gostam de Elliot Smith, Bonnie Prince Billy, Nick Drake, Grandaddy...
 
Juntos formam também os Domingo. Pela editora francesa Third Side Records lançaram o seu homónimo disco de estreia. A palavra que talvez possa melhor descrever estes Domingo é delicadeza. Letras que falam de desertos, da adolescência, de segredos de família, de confissões, conduzem-nos por melodias simples, mas encantadoras. Escritas em momentos de ausência, vivem num universo onde as guitarras e as vozes imperam, em canções tão doces quanto tristes.