Emily Jane White

08 julho
[museu nacional de machado de castro, coimbra]


Ao percorrermos Victorian America pressentimos estar perante o esboço de um território esquecido, cujas fronteiras se perdem no passado, por entre mitos e narrativas distantes. Atravessamos a sua imensidão, conduzidos pela voz de Emily Jane White, enquanto esta convoca a tradição e a solidão da folk norte-americana. O trilho pelo qual seguimos torna-se cada vez mais definido e reconhecível à medida que avançamos, não sendo já um estreito caminho como o de Dark Undercoat, o seu primeiro LP, editado em 2007.

Um assumido sentimento de perda e de tristeza, que aquela autora apontava como exclusivo objecto das suas composições, deu lugar ao longo dos últimos anos a um genuíno interesse pelo poder da narrativa e do storytelling. As afinidades com autores da sua geração como Cat Power, Alela Diane ou Hope Sandoval permanecem evidentes; porém, à medida que as composições de Emily Jane White denunciam uma crescente amplitude, das mesmas emerge uma também progressiva preocupação com a escrita, tentando encontrar um registo que a liberte e a distancie dos seus pares.

O trilho de Victorian America leva-nos a uma encruzilhada. Se por um lado a singer songwriter californiana recusa uma ruptura face às suas primeiras composições, as quais a imprensa catalogou de dark soul, sente-se por outro lado o pulsar do slowcore e do indie rock, dos quais convoca elementos que enriquecem e estendem cada vez mais as fronteiras daquele ainda indefinido e vasto território. 

The Ruby Suns

17 junho
[oficina municipal do teatro, coimbra]


Há cerca de um ano atrás, um público entusiasta despediu-se dos The Ruby Suns numa pequena sala da invicta, ainda aturdido e sacudido pelos momentos finais de Palmitos Park, celebrados num ritmo frenético e contagiante. Na altura, após uma longa viagem desde Auckland e três datas consecutivas no nosso país, ficou de um exausto Ryan McPhun a promessa de uma segunda passagem por Portugal.

Entretanto surgiu Fight Softly, o perfeito motivo para que a Lugar Comum endereçasse um novo convite a Ryan McPhun. Fight Softly afasta-se progressivamente da génese do projecto neo-zelandês. Não despreza o legado tropicalista de Sea Lion, seu antecessor, mas acrescenta-lhe uma inclinação óbvia pelas texturas electrónicas e pela utilização de samples. A componente dançável e celebratória persiste, transversal a todos os sons que os The Ruby Suns comportam, mas desta vez Ryan McPhun surge-nos mais próximo de Panda Bear que de Ezra Koenig.
 
A Lugar Comum antecipará o Verão na companhia de Ryan McPhun, partindo do exacto ponto em aquele nos deixou há um ano: em efervescente celebração ao som dos primeiros esboços de Fight Softly. 

Taxi Taxi!

08 abril
[oficina municipal do teatro, coimbra]


O primeiro trabalho do projecto escandinavo Taxi Taxi! não é certamente revelador do seu bilhete de identidade. Nele encontramos composições envelhecidas pelo decurso de sucessivos Outonos, que parecem ter subsistido ao passar dos tempos, comportando mesmo amargurados traços de longas jornadas. Já a escrita surge-nos envolta num manto de sobriedade e maturidade, pontuada muitas vezes por uma agastada melancolia. E, no entanto, ...as suas autoras, Johanna e Miriam Eriksson Berhan, têm apenas 18 anos de idade.

Nascidas em Estocolmo, gravaram as suas primeiras faixas quando ainda tinham 15 anos, lançando as mesmas no myspace e assumindo a assinatura Taxi Taxi! Seguiram-se as primeiras audições, os primeiros artigos em blogs, e um crescente culto em torno das suas composições que lhes rendeu a curto prazo um significativo airplay em diversas rádios suecas. De seguida, a imprensa multiplicou as referências ao projecto, surgindo os primeiros concertos que acabariam por as levar a uma actuação no Festival de Roskilde, na Dinamarca.

Após dois embrionários EP's, a etiqueta Rumraket (fundada por elementos do conhecido projecto Efterklang) editou em 2009 o álbum Still Standing at Your Back Door, produzido por Johan Berthling (Tape). Para além de consolidar a posição das Taxi Taxi! como uma das maiores promessas da indie folk actual, este longa-duração tem a particularidade de antecipar um pouco do que podemos esperar de Miriam e Johanna em concerto, visto terem assumido elas mesmo, à semelhança do que fazem em palco, a gravação de todos os instrumentos utilizados em estúdio.

Pela primeira vez em Portugal, a convite da Lugar Comum, as Taxi Taxi! actuarão em quatro datas, ao longo dos primeiros dias de Abril. 

Laetitia Sadier

19 março
[oficina municipal do teatro, coimbra]


A voz de Laetitia Sadier encontra-se intimamente ligada ao projecto Stereolab. Será um exercício difícil, senão impossível, o de imaginarmos o percurso do colectivo franco-britânico sem o registo vocal da sua principal letrista. Considerados por muitos como imprescindíveis, enquanto referência de enorme amplitude criativa nas últimas duas décadas, os Stereolab deixaram um extenso legado que se alonga desde as fronteiras da electrónica, do jazz, da bossanova e mesmo do indie rock, numa equação sempre difícil de se resolver.

Após um longuíssimo percurso, do qual constam colaborações pontuais com nomes tão relevantes como os Blur ou os High Llamas, Laetitia Sadier chega a 2010 apostada em prosseguir uma carreira a solo, pontuada por concertos raros e intimistas, tendo até à data se apresentado ocasionalmente em palco na companhia de Bradford Cox, com o qual assinou a composição Quick Canal, uma das mais belas faixas de 2009.

A convite da Lugar Comum, Laetitia viajará até ao nosso país para nos apresentar algumas das suas composições; oportunidade única para escutar um nome maior.