Benoît Pioulard

Salão Brazil [Coimbra]
27 de Janeiro de 2011
Quinta-feira (22h00)

Saído das fileiras da reconhecida editora Kranky, ao longo da última década o fotógrafo e compositor norte-americano Thomas Meluch tornou mais precisos os contornos da silhueta de Benoît Pioulard. Identidade assumida aquando das suas primeiras composições, com aquela assinatura pretendeu o autor convocar e sobrepor a imagem e o som, síntese filtrada por um olhar documental que, desde há alguns anos, o levou a ter por companhia um gravador, no qual regista todo e qualquer ruído envolvente.



É de resto a partir da referida premissa que constrói todo o seu processo criativo, buscando em centenas de gravações arquivadas os sons e as texturas que lhe permitem contextualizar as suas composições. Estas, pontuadas por elementos electrónicos, ainda assim não deixam para trás a relação de proximidade com o seu autor, comportando uma forte marca descritiva em cada uma das suas letras.



Em Lasted, o seu mais recente trabalho, a fotografia confunde-se com a escrita. O detalhe que o autor nele deposita é quase obsessivo, convocando em exclusivo as responsabilidades pela produção, artwork e componente video que acompanha cada um dos seus concertos. Bénoit Pioulard é um control freak. Thomas Meluch um dos mais talentosos autores norte-americanos da sua geração. 



Preços:
Associados Lugar Comum :: € 7,00
Não-Associados ::
€ 8,00

Venda:
Desde as 21h, no Salão Brazil, apenas na noite do concerto.
As reservas deverão ser levantadas entre as 21h15 e as 22h, sob pena de perderem efeito.

Reservas:
geral@lugarcomum.pt

mediante envio de nº BI para posterior confirmação
+
referência à quantidade e tipo de bilhetes pretendidos



Festival Indie Songs Don't Lie 2010

21 e 22 de Outubro de 2010 
[museu nacional de machado de castro, coimbra]
 
Quinta-feira (21h30)
Heather Woods Broderick 
+ Nils Frahm


A afirmação de Heather Woods Broderick como um dos nomes emergentes no espectro indie norte-americano encontra-se intimamente ligada ao percurso do seu irmão. Foi pela mão de Peter Broderick que, em 2006, a jovem violoncelista integrou o projecto Horse Feathers. Um ano mais tarde, acompanharia Peter na sua aventura escandinava, passando a ...fazer parte das fileiras dos Efterklang. Ao longo de todo este percurso, assinou as suas próprias composições, portadoras de uma rara beleza melódica e pontuadas pela sua voz envolvente. Estas viriam a ser reunidas em From the ground, primeiro longa-duração de Heather, álbum que conta com a participação de alguns dos músicos mais reconhecidos de Portland. De resto, é esta assumida opção dos Broderick em colaborar com inúmeros músicos que não só enriquece o seu percurso, como permite encontros como aquele que trará o reputado pianista germânico Nils Frahm ao Museu Nacional Machado de Castro. Assíduo colaborador de Peter Broderick, não só acompanhará a compositora norte-americana, como apresentará as suas próprias composições, com destaque para The bells, uma recentemente editada colecção de improvisos ao piano.


Sexta-feira (22h00) 
Gareth Dickson


O nome do escocês Gareth Dickson permanece desconhecido do grande público, e no entanto, este instrumentista tem sido requisitado, ao longo do último ano, por figuras tão ilustres como a argentina Juana Molina ou a britânica Vashti Bunyan. O seu virtuosismo na guitarra e a forma como as suas composições se entrelaçam em ténues fios sobrepostos, projecta cada vez mais o jovem escocês para a primeira divisão da chamada brit folk. Referências como Nick Drake ou Bert Jansch não são estranhos ao imaginário de Dickson, pairando como fantasmas ao longo das suas actuações. No entanto, a sua familiaridade com o trabalho de Molina, e muito particularmente com o processo interpretativo da autora argentina (na medida em que utiliza loops de voz e guitarra), distancia hoje o escocês da figura de um mero singer songwriter. Com a sua irrepreensível técnica convive hoje uma dimensão experimental, que não encontramos na maioria dos seus pares.

Dana Falconberry + Matt Bauer

18 setembro
[oficina municipal do teatro, coimbra]


Desde há alguns anos a esta parte que Dana Falconberry reside na cidade texana de Austin, um dos pontos de maior efervescência no roteiro indie norte-americano, pelo que não é de estranhar que cedo tivesse dividido o seu tempo entre os estudos e a composição, actuando em pequenas salas e captando progressivamente a atenção do público de Austin. Red Hunter, fundador do projecto Peter & the Wolf, interessou-se pela voz de Dana, que a partir de 2006 passou a integrar o referido projecto.

No entanto, o seu percurso a solo há muito que se encontrava traçado, e nesse mesmo ano editou Paper Sailboat, um EP que reunia seis das suas composições, todas elas portadoras de uma inegável autenticidade folk, traduzindo-se num registo de storyteller, evocativo de um passado distante. Oh Skies Of Grey, o seu primeiro longa-duração, ancorado ao território folk, contemplava ainda assim a presença do piano e da bateria, elementos que vieram adornar a voz da autora, esta sim, ainda cativa de um prato de vinyl poeirento, ecoando pelo velho soalho de um quarto de hotel.

Pela primeira vez na Europa, Dana Falconberry transporta consigo o legado do bluegrass e da folk do midwest norte-americano, fazendo-se acompanhar nesta jornada por Matt Bauer, singer songwriter nova-iorquino que percorre trilhos semelhantes aos da compositora texana. Tendo por parceiros respectivamente a guitarra e o banjo, fica a promessa de uma noite de estórias e de cumplicidade. 

Emily Jane White

08 julho
[museu nacional de machado de castro, coimbra]


Ao percorrermos Victorian America pressentimos estar perante o esboço de um território esquecido, cujas fronteiras se perdem no passado, por entre mitos e narrativas distantes. Atravessamos a sua imensidão, conduzidos pela voz de Emily Jane White, enquanto esta convoca a tradição e a solidão da folk norte-americana. O trilho pelo qual seguimos torna-se cada vez mais definido e reconhecível à medida que avançamos, não sendo já um estreito caminho como o de Dark Undercoat, o seu primeiro LP, editado em 2007.

Um assumido sentimento de perda e de tristeza, que aquela autora apontava como exclusivo objecto das suas composições, deu lugar ao longo dos últimos anos a um genuíno interesse pelo poder da narrativa e do storytelling. As afinidades com autores da sua geração como Cat Power, Alela Diane ou Hope Sandoval permanecem evidentes; porém, à medida que as composições de Emily Jane White denunciam uma crescente amplitude, das mesmas emerge uma também progressiva preocupação com a escrita, tentando encontrar um registo que a liberte e a distancie dos seus pares.

O trilho de Victorian America leva-nos a uma encruzilhada. Se por um lado a singer songwriter californiana recusa uma ruptura face às suas primeiras composições, as quais a imprensa catalogou de dark soul, sente-se por outro lado o pulsar do slowcore e do indie rock, dos quais convoca elementos que enriquecem e estendem cada vez mais as fronteiras daquele ainda indefinido e vasto território.